Olá!  De volta ao nosso papo sobre ANSIEDADE , vamos conversar sobre TAS, (Transtorno de Ansiedade de Separação).

A título de ilustração,  te convido a me acompanhar nesta  pequena cena  onde os personagens são fictícios.

João tem oito anos.  Toda vez que precisa sair de casa, fica chateado, irritado, chora, faz chantagem.  Sua zona de conforto é sua casa junto de sua família que é composta pelo pai, a mãe e sua avó Matilde que mora com eles e lhe cuida enquanto os pais trabalham.

oão, comumente  a segue  como uma sombra em todos os cantos da  casa.  Apresenta um medo  em ir de um cômodo a outro sozinho...Pense naquele chicletinho que gruda!  Em certa conversa com sua avó, lhe conta um sonho. 

-Vovó, eu sonhei que tava  no parquinho com você a mamãe e o papai, tudo de mãos dadas... daí... Veio um vento muito grandeee e muitoooo mau que me rodou e me rodou e eu fiquei todo enjoado! Daí...eu fechei os meus olhos bem apertadinhos e segurei mais forte ainda a minha mão na sua mão. Só que... o vento tava muitoooo forte e eu não conseguia mais segurar. Sabe o que aconteceu vovó?!

- Não, o que  aconteceu?

-Ele me levou pra bem longe e eu fiquei com muitooooo medoooo! Eu acordei  assustado, meu coração  fazia Tum Tum Tum Tum  e eu corri pra cama da mamãe. Vovó, e se eu for pra escola e vier um vento assim?  E se eu me perder de você, da mamãe e do papai?
Matilde  que a tudo ouviu atentamente, pegou-lhe a mão e sorrindo lhe disse:

-Seu bobinho, aqui só tem brisa, nunca tem vento forte.

Nesta cena, podemos perceber que existe no personagem João um elevado medo de perder-se de seus entes queridos, especialmente da avó a quem demonstra maior apego. No sonho, ele fecha os olhos na tentativa de se esconder do que lhe assustava e busca segurar com força sua mão com intuito de  apoio e segurança. Entretanto  no sonho, apesar de seus esforços, tudo vira uma catástrofe. Ele acorda, se vê sozinho no quarto, seu batimento cardíaco está acelerado e ele vai se aninhar entre os pais. Nesta cena e pelo histórico de João, estamos diante de um típico quadro de Ansiedade de Separação.

O Transtorno de Ansiedade de Separação, é  uma patologia prevalecente na infância e mais raramente na adolescência. Apresenta retraimento social, apatia, dificuldade de concentração e tristeza quando são apartados  da figura ou figuras que lhes são de importante apego.  

Observa-se que é normal no inicio do desenvolvimento infantil, que a criança tenha ansiedade reativa às figuras estranhas, o que está para auto proteção  e auto preservação. Este processo auxilia os pais a atentarem para possíveis perigos relacionados à integridade física, psicológica e social da criança. 

O Transtorno de Ansiedade de Separação pode se apresentar em qualquer período da infância, em alguns casos, acompanha o indivíduo até a fase adulta. Entretanto, em geral a criança ao longo do seu desenvolvimento infantil até sua adolescência, vai desenvolvendo estratégias que a liberam dos sintomas que lhes dificultam a vida.

Mas, como identificar se alguma criança apresenta O Transtorno de Ansiedade de separação? ! Quais são os aspectos relevantes que sinalizam este Transtorno?

Aqui vão algumas dicas:

- Observe se seu filho/a  ou alguma criança que você possa ter contato demonstra sofrimento toda vez que tiver que sair de casa ou se afastar das figuras de apego.

-Se existem uma constante preocupação com acidentes, ferimentos, desastres ou mortes envolvendo as figuras de apego.

-Se ele/a demonstra constante e excessiva preocupação que o/a leve a uma possível perda ou separação das figuras de apego. Isso pode envolver; ficar doente, perder-se, ser seqüestrado sofrer um acidente etc.

- Se apresenta relutância persistente em sair de casa, ir para escola ou outro evento social em função do medo da separação.

-Se existe um medo excessivo e persistente, ou constante relutância em ficar sozinho em casa ou em outro ambiente, sem as figuras importantes de apego.

-Se reluta com Constancia em dormir fora de casa com e/ou sem a figura de apego.

-Os pesadelos repetitivos envolvendo o tema de separação também sinalizam um possível Transtorno de ansiedade de Separação.

-Também podem ocorrer sintomas somáticos, quando existe a ocorrência ou possibilidade de afastamento da figura importante de apego. Ex. ( Náuseas, dores abdominais, dores de cabeça...).

Na fase adulta, o indivíduo costuma sentir desconforto em viajar sozinho, dormir em quarto de hotel, ter pesadelos que indicam catástrofes que o possam separar da família. Além de apresentar uma limitante capacidade de  mudanças circunstanciais como, mudar de endereço, casar-s ... Em geral  apresentam um comportamento  de excessiva preocupação com seus cônjuges e filhos.

Sabe aquela pessoa que está sempre checando o paradeiro da esposa/o  apenas para saber se está tudo bem?  Então, esse comportamento pode estar associado a elevados níveis de desconforto que lhe causa sofrimento em função da Ansiedade de separação.

Existem alguns fatores que contribuem para o desenvolvimento do TAS (Transtorno de Ansiedade de Separação) 

Freqüentemente se desenvolve após um episódio estressor que envolva  perdas. Exemplo:

-Morte de um parente ou animal de estimação;
-Doença do indivíduo ou parente;
-Divórcio dos pais; 
-Mudança de escola ou de bairro.

Também observa-se que a superproteção e a intromissão parentais nos processos de desenvolvimento da criança podem contribuir para a construção da Ansiedade de separação.  A criança em suas diversas fases de  desenvolvimento,  necessita de certa liberdade para descobrir por si mesma o ambiente em que atua e desta forma aos poucos, vai formando suas opiniões e elaborando estratégias de enfrentamento ante as adversidades que possam surgir. 

O apoio e afeto das figuras parentais são de fundamental importância no processo do desenvolvimento infantil posto que, as experiências que a criança vivência, geralmente são compartilhadas  com as figuras de importância no seu convívio familiar. Neste sentido, ter uma qualidade de presença perpassa por escutar e acolher suas histórias, desenvolver jogos onde possam existir ganhos e perdas sem que isto afete sua integridade emocional.

  Incentivar de forma positiva as experiências de novas descobertas ambientais e sociais, de forma que a criança entenda que você estará presente em suas necessidades quando for necessário, o faz  ganhar certa autonomia e segurança, bem como a confiança de poder ir e vir sem a Ansiedade esmagadora da separação.

Por hoje ficamos por aqui,  te aguardo no próximo post,  onde continuaremos a falar sobre Ansiedade. Até lá!

 

Rosana Freire 
CRP 19/2739